Home / Filmes / LOGAN | Com roupas, mas completamente despido: prepare-se para conhecer a história definitiva do homem por trás da máscara

LOGAN | Com roupas, mas completamente despido: prepare-se para conhecer a história definitiva do homem por trás da máscara

Domingo, 8h30 da manhã. Do lado de fora da sala de cinema, dezenas de pessoas se aglomeravam e aguardavam ansiosos em fila indiana para que a porta se abrisse. Sacos plásticos vedados foram entregues. Junto a eles, a orientação para que os celulares fossem desligados. A expectativa era palpável até entre quem não era grande fã da Marvel, estava ali apenas cumprindo o protocolo e fazendo mais uma cobertura habitual. Na tela surgia, pela última primeira vez, um dos maiores e mais queridos heróis dos quadrinhos.

Após dezessete anos, Logan não era mais o Wolverine. Logan era um homem cansado, com marcas do tempo, da idade, das experiências que vivera e das pessoas que perdera. Logan agora é quase como um filho que passa os dias tentando amenizar o sofrimento do pai doente. Como aquele vizinho, tio, um conhecido da família que trabalha dia e noite para pagar o tratamento de seu progenitor. A diferença é que o pai, nesse caso, era ninguém menos do que Charles Francis Xavier (Patrick Stewart), fundador dos X-Men.

A passagem do tempo e o envelhecimento é um tema recorrente na trama. A consciência de que ninguém é eterno – nem mesmo os X-Men, nem mesmo o Wolverine – traz inúmeras reflexões logo nas primeiras cenas. Logan, que por toda a sua vida evita intimidades, foge de relações profundas, se afasta de quem ama e deduz que a existência é limitada a sua própria solidão, é praticamente obrigado a adotar uma nova família.

O conceito de família, aliás, é apresentado de maneira inusitada, levando o expectador a repensar nos padrões estabelecidos. Uma menina latina que não fala por mais da metade do filme (Dafne Keen), com dificuldade para expressar emoções e controlar sua raiva; um nonagenário que sofre convulsões e apresenta lapsos de consciência misturados com inúmeros momentos de confusão – e, para completar, possui o cérebro com poder de destruição em massa; e um homem centenário, resignado, sem motivação ou desejos, cujo corpo começa a apresentar indícios de cansaço e esgotamento.

O último filme de Hugh Jackman é um misto de tensão – o cenário, fronteira com o México; a trilha sonora, que remete aos filmes de faroeste; e a perseguição da qual os personagens principais fogem a todo momento, que faz a trama fluir em um ritmo acelerado –, e calmaria. Sim, pois apesar de ser extremamente violento, de não poupar cabeças voando e jugulares sangrando, é um filme leve e divertido. Alívios cômicos são marcados pela presença de um Xavier idoso, que quer presenciar ao menos uma vez a experiência de ter uma vida normal. Mesmo que apenas por uma noite, vivendo como uma família andarilha que busca refúgio em uma casa de campo tradicionalmente interiorana.

É impossível deixar de citar a violência, marca presente quase que na totalidade da obra. Apesar de trazer para a trama central uma menina de onze anos, é um filme adulto. E não poderia ser diferente, já que é a história definitiva de Logan – transformado em Wolverine através da   brutalidade e selvageria, cujos instintos mais primitivos foram despertados e estimulados durante toda a sua vida. Mas, mais do que a violência em si, o filme mostra as consequências de uma vida marcada pela fúria e barbárie. Os atos violentos não são o que chamam a atenção, e sim a forma como isso interfere e modifica vidas, por vezes de maneira irreversível.

Por fim, a despedida de Hugh Jackman após dezessete anos é emocionante e completa. Por quase duas décadas, o personagem icônico da Marvel ainda não havia se revelado verdadeiramente nos cinemas. Para os fãs, essa será a história mais envolvente e verdadeira do super-herói. Mas segue um conselho de quem já assistiu: ao entrar na sala e ver as luzes se apagarem, não espere por Wolverine, a máquina. Mas prepare-se para conhecer Logan, o homem.

Sinopse:

Logan (Hugh Jackman) nunca imaginou que sua última missão seria a mais difícil de todas. Mesmo tendo suas habilidades de cura diminuídas pouco a pouco, ele aceita o pedido do Professor Xavier (Patrick Stewart), para que proteja a jovem e poderosa Laura Kinney (Dafne Keen), a famosa X-23. Enquanto isso, o vilão Nathaniel Essex amplia seu projeto de destruição.

 

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Sobre Carolina Zanini

Carolina Zanini

Louca, apaixonada, fissurada por séries e filmes. Daquelas que a melhor companhia é o Netflix, o melhor rolê é o cinema e o pior pesadelo são os spoilers.

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